26.12.08

Pequena reflexão sobre o Natal



Nessa época do ano, muita gente faz reflexões sobre o Natal, normalmente começando com frases como "nessa época do ano...". Sendo assim, após dar uma olhada no blog de meu amigo e companheiro de tribo Miguel, decidi escrever também a minha. Na verdade, vai ser bem breve.

Este ano, percebi duas coisas a respeito do Natal. Duas coisas que, para os cristãos, deveriam ser implícitas no significado desta festa, mas que muitas vezes passam batido por nós: a companhia e o compromisso.

A partir do momento em que o Verbo de Deus se faz homem e passa a viver em nosso meio (cf. Jo 1, 14), o ser humano não pode mais dizer a si mesmo que está só. Não falo aqui da solidão em seus aspectos psicológicos ou sociais, mas espirituais. Um Deus que assume a forma humana e se dispõe a caminhar conosco, a passar pelas mesmas experiências que nós (exceto, claro, o pecado), a comer do nosso pão, a andar por nosso chão, certamente é a mais valiosa companhia que podemos querer no itinerário incerto a que chamamos vida. Portanto, como eu ouvi numa homilia neste último Natal, ninguém tem o direito de dizer que está só, não a partir do momento em que toma consciência deste fato extraordinário: Deus caminha em nosso meio como um de nós, sem, no entanto, deixar de ser Ele mesmo e nos abençoar com sua presença e seus atos humanos e divinos. Isso, no mínimo, deve mudar nossa perspectiva a respeito de tudo que vivemos.

O compromisso refere-se também à tomada de consciência deste mesmo fato, mas num outro nível. O primeiro nível referia-se à experiência do amor de Deus no âmbito pessoal. O segundo nível, do compromisso, remete-nos à experiência coletiva. Saber que Deus está presente nem sempre nos basta: é preciso que essa presença seja manifestada também nos irmãos. Ninguém que vive nos tempos atuais presenciou Cristo em sua vida terrena, entretanto sua mensagem reverbera até os dias atuais. Como? Não apenas pelos Sacramentos da Igreja e por sua Palavra, mas também pelo testemunho daqueles que experimentaram seu amor e fazem com que outros o experimentem. Desse modo, o compromisso significa a capacidade que nós temos de nos abrir ao amor de Deus e de transmitir este mesmo amor ao nosso próximo, por meio de pensamentos, palavras e atos.

Tenhamos, portanto, consciência da presença do Divino em nosso meio, renovada na festa do Natal ao fazermos memória do Menino de Belém, e sejamos mensageiros da manifestação do amor de Deus assim como os pastores que, visitando-o naquela noite santa, glorificaram e louvaram a Deus por tudo que tinham visto e ouvido (cf. Lc 2, 20).

Feliz Natal!